sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Refugiados? Eis a questão.

Entre 1974 e 1976, Portugal viu chegar mais de meio milhão de pessoas às quais nunca reconheceu o estatuto de refugiados. A portugueses.  Chamou-lhes retornados.
A minha mãe pertenceu a esse meio milhão.
Há 40 anos atrás não existiam fotos de crianças mortas nas praias, mas morreram crianças, nem das mulheres violadas, que as houve e por ai adiante.
Em Maputo (Lourenço Marques na altura) os movimentos independentistas entravam pela cidade adentro, a queimarem os carros e as pessoas. 
E Portugal não reagiu como reage agora aos Sírios.
Estivadores africanos do porto de Lourenço Marques (actual Maputo) recusaram-se a carregar barcos de carga destinados a Lisboa com bens pertencentes a colonos brancos que regressavam a Portugal.
"Colonos brancos" foi a este estereótipo que os Portugueses foram reduzidos.
Os meus avós eram Portugueses, ao contrário destes refugiados, e o país desistiu deles. Os Portugueses em África foram convenientemente esquecidos.
Com o turbilhão que tem sido a situação dos Sírios era de esperar que a situação vivida pela minha mãe, pelos meus avós e por meio milhão de portugueses tivesse merecido a mesma ou maior atenção por parte da comunicação social. A final de contas Portugal tinha proibido o seu próprio povo, cidadãos portugueses de "retornar"!
Em Lisboa ninguém se interessou.
A imprensa nem lhes dedicou espaço.
Quando os factos sobravam, lá a grande custo se arranjou um termo politicamente inócuo para nomear a massa de gente portuguesa que só sabia que não podia voltar para trás.
Retornados.
Muitos não sabem ( é o nosso problema não saber!) mas o facto de não lhes ter sido atribuído o estatuto de refugiados os Portugueses não tinham assim direito a requerer qualquer tipo de ajuda monetária. Não é preciso lembrar que aos Sírios lhes estão a ser entregues casas e empregos.
Que para eles não é o suficiente.. Tomá lá um murro no estômago Portugal!
Na minha opinião devíamos levar muitos mais.

Portugal entregou de mão beijada as colónias e fez uma maldade inacreditável aos portugueses que lá viviam.

De mãos a abanar, sem dinheiro nem comida nem roupa, foram obrigados a recorrer ao Instituto de Apoio ao Retornado dos Nacionais que, ironicamente, entregavam roupas e ovos em pó vindos dos EUA.
Nas filas à espera de roupa e comida, testemunha a minha mãe, que os portugueses se punham a chamar nomes e a pedir para que os retornados se fossem embora, os seus próprios concidadãos. 
Damos tudo aos "refugiados" da actualidade e aos nossos mal os conseguíamos tolerar.
Estamos de braços abertos para os Sírios mas os Portugueses foram deixados desamparados.

E de repente toda a gente se emociona.
Fico abismada com os defensores da causa Síria que surgiram agora. 
Sim AGORA! Porque a guerra dura há já quatro anos e nem os portugueses nem a imprensa, nem a comunidade europeia se comoveram.
Cambada de cínicos, digo eu!
A Alemanha depois do fiasco que foi a Grécia quer fazer boa figura e o resto da Europa segue-a.
Infelizmente o povo português é o que chamo "Maria vai com todas".
Se bem me lembro andámos eufóricos com a crise humanitária na Grécia. Houve quem fosse de férias para ajudar a causa alternativa. E agora?
Agora os Gregos estão ainda mais pobres e ninguém quer saber da Grécia para nada.

No meio de tanto cinismo alguém se perguntou porque os países ricos, da mesma fé não vão acolher refugiados? Sim! Quantos refugiados recebeu o riquíssimo Qatar? E o Dubai? Abu Dhabi? E a piedosa, islamicamente falando, claro, Arábia Saudita? 
ZERO. 


Por isso perdoem me mas não, não concordo com as pessoas que tão afincadamente são a favor do acolhimento dos Sírios só porque sim. Porque fica bem.
 Tão humanitários que somos....
Só nos interessamos pelo custo humano quando é para Show off.
África sempre teve crises Humanitárias e continua com graves carências, mas parece que os Portugueses só se interessam quando é no âmbito europeu. 
Morreram 147 pessoas num ataque terrorista à Universidade Garissa na Nigéria.
Não me recordo de ver fotografias de perfil "Je suis Garissa".


Os países "lá em baixo" não importam.














terça-feira, 26 de janeiro de 2016

"Há pessoas que quando fecham os olhos é para dormir: essas são as normais. E há pessoas que quando fecham os olhos é para sonhar: essas são as anormais. Essas são as únicas que valem (e é pena) a pena." 

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in "Eu Sou Deus"



quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Not a bucket list!

Passado cerca de 4 meses desde o meu último post, resolvi regressar ao meu cantinho.
Acho que realmente é isso que este blog é para mim, o meu cantinho. É mais um diário online do que propriamente um blog a seguir ou um blog das tendências. Aliás nem era esse o seu o propósito!
Anyway, deu me o bicho da escrita neste momento porque a minha cabeça decidiu fazer um flashback do que foi a minha vida este ano e, meu Deus a montanha russa que foi!
Se o ano passado me tivessem dito o que seria a minha vida agora acho que mandava internar a pessoa.
A nível profissional tomei uma decisão que muito me custou, deixei aquilo que adorava fazer, que me tinha permitido conhecer culturas que nunca pensei vir a encontrar, permitiu me ver o mundo para além das ilusões que a televisão nos transmite. Compreendi a sorte que tenho em ter livre arbítrio. Poder decidir o que visto, para onde vou, o que faço. Que sou uma sortuda por tudo o que tenho ainda que pouco. Como um abraço apertado de alguém que ajudei com tão pouco, que me valeu milhões. 
Levo essas experiências para a vida.
Acabou por ser uma das melhores decisões que tomei. Mal sabia eu.
Além de estabilidade esta decisão trouxe-me ao coração o verdadeiro amor.
Depois de um turbilhão que durou mais do que devia, ele veio e reparou todos os estragos que eu tinha. 
Eu que já tinha desistido da espécie veio ele e fez me acreditar. Não fez, ele mostrou. Com muitas palavras e muitos actos. Sem zonas cinzentas, sem medos. Assumiu me no coração pura e simplesmente.
E com ele veio um anjinho que amo como meu.
Consegui, pela primeira vez na vida, ver um Principe no cavalo branco. Piroso? Lamechice. Sim. Mas verdade. E é isso. O mundo girou nas pontas dos meus pés.
Ele é a melhor maneira de viver.
É um viver que me era desconhecido. É ser feliz todos os dias. 
Saber que aconteça o que acontecer nenhum de nós está sozinho quando o pior vem.  
É acordar de manhã e ter espaço, no nosso peito, para viver um amor que é, hoje, sempre um pouco maior do que era ontem. É não nos cansarmos de desejar coisas que nos fazem felizes — aos dois. E vivemo-las com tanta intensidade que há dias em que ficamos exaustos.
É saber que não existem momentos perfeitos e que as guerrilhas e os amuos também fazem parte do amor. 
Passamos por tudo sempre com amor nos braços.
Como ele me diz tantas vezes "A Mulher é o reflexo do seu Homem". E eu sou hoje a mulher mais feliz do Mundo. E estou hoje num lugarzinho que nunca imaginei conseguir estar. No coração de um Homem como já há poucos. Ou nenhuns. Infelizmente.
Estou grata pela minha família. Hoje olho para os meus pais de maneira diferente. Vejo tudo o que fizeram por mim e como às vezes nós crianças e adolescentes conseguimos ser tão cegos ao amor que nos têm. Conseguimos ser uns verdadeiros fedelhos, ingratos, exigentes e injustos. 
Tenho os melhores pais do mundo. Não fossem eles os meus :) 
Estou grata por ter essa noção agora e não tarde demais. 

Tenho 2 melhores amigas que mantenho há anos e são a minha família também. À Inês e à Patrícia tenho a agradecer-lhes o percurso que fizeram lado a lado comigo. Porque a amizade é isto. Permanente. 
E para elas, por elas TUDO! 
E depois há a minha luz, a minha metade. Susy. 
Ela é infinita. A minha irmã é o meu sempre, o meu eu. É algo de sagrado.
É minha. E eterna. 








É isto. Não sei que de melhor pode 2016 trazer-me. 
Nem tenho coragem de pedir mais do que tenho.
Aquilo a que realmente dou valor já possuo.
E não tenho palavras para descrever a gratidão que sinto.
É isto que falta ao mundo. 
Perceber que o que realmente importa é "invisível aos olhos" .












resto os outros e o que de ruim me desejem e aos meus, que não passe disso mesmo. Deles.

***Feliz 2016*** 






quarta-feira, 19 de agosto de 2015

É tudo uma questão de percepção

Hoje não venho qui pelas minhas palavras.
Hoje partilho as palavras de um autor do HUMANS OF NEW YORK .  O texto está em inglês e é simplesmente genial.
Fez me reflectir sobre como somos tantas vezes privados daquilo a que chamamos "bigger picture".
Há sempre mais de um história do que aquilo que chega até nós.
O fundamental, já dizia o meu pai, é QUESTIONAR. sempre. Querer sempre saber mais. Ir ao fundo da questão.

Bom, aqui vai o texto e a foto que o acompanha.


A Final Word On Pakistan:
Imagine that every time you have a lapse in judgment, it gets printed in newspapers around the world: every time you lose patience with your children, every time you scream at someone in traffic, every time you drink too much and do something you regret. Each time you slip up, everyone hears about it. The world is never notified about the 99.99% of the time that you are a completely normal, productive, law-abiding citizen. The world only learns about you when things go wrong. Now imagine what the world would think of you.
It’s not that terrorism, patriarchy, and violence aren’t real problems in Pakistan. They exist and the country is battling these issues every single day. Pakistanis are very much aware of the extremism in their midst. The problem is that so many people seem to only be aware of that extremism. Because just as in the hypothetical example above—the other 99.99% of life just doesn’t make the news. When there’s only room in the newspaper for a single column about Pakistan, it’s going to be filled with the most compelling story. And unfortunately, that tends to be the most violent story.
And those are important stories. Those are the types of stories that expose corruption, stop genocide, and alert the world to emerging threats. It’s right for those stories to be told. But when those stories are all that we hear, it’s so easy to imagine a world that’s far scarier than it really is. You lose sight of the 99.99% of the world that’s not scary at all. And living in fear can be a dangerous thing. Because if we’re afraid of each other, we’ll never be able to work together to solve our common problems.