quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Not a bucket list!

Passado cerca de 4 meses desde o meu último post, resolvi regressar ao meu cantinho.
Acho que realmente é isso que este blog é para mim, o meu cantinho. É mais um diário online do que propriamente um blog a seguir ou um blog das tendências. Aliás nem era esse o seu o propósito!
Anyway, deu me o bicho da escrita neste momento porque a minha cabeça decidiu fazer um flashback do que foi a minha vida este ano e, meu Deus a montanha russa que foi!
Se o ano passado me tivessem dito o que seria a minha vida agora acho que mandava internar a pessoa.
A nível profissional tomei uma decisão que muito me custou, deixei aquilo que adorava fazer, que me tinha permitido conhecer culturas que nunca pensei vir a encontrar, permitiu me ver o mundo para além das ilusões que a televisão nos transmite. Compreendi a sorte que tenho em ter livre arbítrio. Poder decidir o que visto, para onde vou, o que faço. Que sou uma sortuda por tudo o que tenho ainda que pouco. Como um abraço apertado de alguém que ajudei com tão pouco, que me valeu milhões. 
Levo essas experiências para a vida.
Acabou por ser uma das melhores decisões que tomei. Mal sabia eu.
Além de estabilidade esta decisão trouxe-me ao coração o verdadeiro amor.
Depois de um turbilhão que durou mais do que devia, ele veio e reparou todos os estragos que eu tinha. 
Eu que já tinha desistido da espécie veio ele e fez me acreditar. Não fez, ele mostrou. Com muitas palavras e muitos actos. Sem zonas cinzentas, sem medos. Assumiu me no coração pura e simplesmente.
E com ele veio um anjinho que amo como meu.
Consegui, pela primeira vez na vida, ver um Principe no cavalo branco. Piroso? Lamechice. Sim. Mas verdade. E é isso. O mundo girou nas pontas dos meus pés.
Ele é a melhor maneira de viver.
É um viver que me era desconhecido. É ser feliz todos os dias. 
Saber que aconteça o que acontecer nenhum de nós está sozinho quando o pior vem.  
É acordar de manhã e ter espaço, no nosso peito, para viver um amor que é, hoje, sempre um pouco maior do que era ontem. É não nos cansarmos de desejar coisas que nos fazem felizes — aos dois. E vivemo-las com tanta intensidade que há dias em que ficamos exaustos.
É saber que não existem momentos perfeitos e que as guerrilhas e os amuos também fazem parte do amor. 
Passamos por tudo sempre com amor nos braços.
Como ele me diz tantas vezes "A Mulher é o reflexo do seu Homem". E eu sou hoje a mulher mais feliz do Mundo. E estou hoje num lugarzinho que nunca imaginei conseguir estar. No coração de um Homem como já há poucos. Ou nenhuns. Infelizmente.
Estou grata pela minha família. Hoje olho para os meus pais de maneira diferente. Vejo tudo o que fizeram por mim e como às vezes nós crianças e adolescentes conseguimos ser tão cegos ao amor que nos têm. Conseguimos ser uns verdadeiros fedelhos, ingratos, exigentes e injustos. 
Tenho os melhores pais do mundo. Não fossem eles os meus :) 
Estou grata por ter essa noção agora e não tarde demais. 

Tenho 2 melhores amigas que mantenho há anos e são a minha família também. À Inês e à Patrícia tenho a agradecer-lhes o percurso que fizeram lado a lado comigo. Porque a amizade é isto. Permanente. 
E para elas, por elas TUDO! 
E depois há a minha luz, a minha metade. Susy. 
Ela é infinita. A minha irmã é o meu sempre, o meu eu. É algo de sagrado.
É minha. E eterna. 








É isto. Não sei que de melhor pode 2016 trazer-me. 
Nem tenho coragem de pedir mais do que tenho.
Aquilo a que realmente dou valor já possuo.
E não tenho palavras para descrever a gratidão que sinto.
É isto que falta ao mundo. 
Perceber que o que realmente importa é "invisível aos olhos" .












resto os outros e o que de ruim me desejem e aos meus, que não passe disso mesmo. Deles.

***Feliz 2016*** 






quarta-feira, 19 de agosto de 2015

É tudo uma questão de percepção

Hoje não venho qui pelas minhas palavras.
Hoje partilho as palavras de um autor do HUMANS OF NEW YORK .  O texto está em inglês e é simplesmente genial.
Fez me reflectir sobre como somos tantas vezes privados daquilo a que chamamos "bigger picture".
Há sempre mais de um história do que aquilo que chega até nós.
O fundamental, já dizia o meu pai, é QUESTIONAR. sempre. Querer sempre saber mais. Ir ao fundo da questão.

Bom, aqui vai o texto e a foto que o acompanha.


A Final Word On Pakistan:
Imagine that every time you have a lapse in judgment, it gets printed in newspapers around the world: every time you lose patience with your children, every time you scream at someone in traffic, every time you drink too much and do something you regret. Each time you slip up, everyone hears about it. The world is never notified about the 99.99% of the time that you are a completely normal, productive, law-abiding citizen. The world only learns about you when things go wrong. Now imagine what the world would think of you.
It’s not that terrorism, patriarchy, and violence aren’t real problems in Pakistan. They exist and the country is battling these issues every single day. Pakistanis are very much aware of the extremism in their midst. The problem is that so many people seem to only be aware of that extremism. Because just as in the hypothetical example above—the other 99.99% of life just doesn’t make the news. When there’s only room in the newspaper for a single column about Pakistan, it’s going to be filled with the most compelling story. And unfortunately, that tends to be the most violent story.
And those are important stories. Those are the types of stories that expose corruption, stop genocide, and alert the world to emerging threats. It’s right for those stories to be told. But when those stories are all that we hear, it’s so easy to imagine a world that’s far scarier than it really is. You lose sight of the 99.99% of the world that’s not scary at all. And living in fear can be a dangerous thing. Because if we’re afraid of each other, we’ll never be able to work together to solve our common problems.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

A viagem da minha vida


Falo de viagens a Países. Cidades que me fascinaram. Culturas que me conquistaram. Experiências que me mudaram.
Mas descobri um sítio, que me é o tal. 
Um lugar pequenino mas que é grandioso.
Não estou a falar de nenhum país, de nenhuma cidade paradisíaca nem tão pouco de qualquer canto do mundo.
É um pedaço dele. Meu. 
Um espaço que parece ter sido desenhado especificamente para mim.
Um pedaço de espaço onde melhor me sinto.
Posso ter ido aos mais diversos países, mas nunca vi mais belo sítio que esse.
Um lugar onde o cheiro de nenhuma pessoa é igual ao cheiro de outra.
Onde o cheiro dele é mais intenso.
Onde inclino a minha cabeça e repouso todos os meus problemas.
Fecho os olhos e inalo o mais puro e inebriante dos cheiros. 
O dele.


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Viver

Temos direito a viver. Todos nós. Independentemente da nossa raça, sexualidade ou até da nossa mentalidade.


Impossível é não vivermos. Acreditamos nessa certeza com todas as forças da nossa vontade.

Viver é um verbo imenso e acreditamos em todo o seu tamanho e não podemos prescindir de um único passo do nosso caminho. 

Não é não devemos, é não podemos!

Nunca nos foi oferecido nada. Cada conquista foi ganha milímetro a milímetro. Antes de estar à vista de toda a gente, prática e concreta, era sempre impossível, mas viver é acreditar. Temos direito à esperança. Esta vida pertence-nos. O único impossivel é não termos voz.
Além disso, é magnífico estragar a festa aos poderosos. É divertido, saudável, faz bem à pele. Quando eles pensam que já nos distribuíram um lugar, que já está tudo decidido, que nos compraram com falinhas mansas e autocolantes, mostramos-lhes que sabemos gritar. Envergonhamo-los como as crianças de cinco anos envergonham os pais na fila do supermercado. 
"Ser livre é inventar a razão de tudo sem haver absolutamente razão nenhuma para nada.É ser senhor total de si quando se é senhoreado. É darmo-nos inteiramente sem nos darmos absolutamente nada. É ser-se o mesmo, sendo-se outro. É ser-se sem se ser." 



Acredito piamente que a liberdade não se conquista. Não podemos conquistar aquilo que já somos. Nascemos livres. É uma questao de descoberta. Não é poder, é ser.



quarta-feira, 17 de junho de 2015

And then Love came

Porque ele veio sem avisar. E do nada se tornou tudo. 
Não procurava nada...mas encontrei-o.
E desde esse momento, nunca mais entendi a vida da mesma forma.O chão tremeu e pela primeira vez não tive medo de cair.
E hoje a vida é nossa.
É isto. É mesmo assim: simples, sem detalhes, direto ao assunto. Sem esquemas, nem subterfúgios. Sem ornamentos. Assim, inequívoco.
Como todos os amores deviam ser.
Uma história que começa sem nunca questionar o fim, porque o fim não interessa, porque o fim não se pretende.

E é isto. Amor.

Porque estes post fazem falta. Faz falta mais amor.

"I am nothing special; just a common man with common thoughts, and I've led a common life. There are no monuments dedicated to me and my name will soon be forgotten. But in one respect I have succeeded as gloriously as anyone who's ever lived: I've loved another with all my heart and soul; and to me, this has always been enough."



























“You are every reason, every hope, and every dream I’ve ever had, and no matter what happens to us in the future, every day we are together is the greatest day of my life. I will always be yours. And, my darling, you will always be mine.”

Para o Jorge. porque tudo.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Changes

Uma das coisas que mais me fascinou ao longo dos meses que viajei foi o impacto que cada país teve em mim.

Sempre que de lá saía, saía mais pequena. Como se nenhum dos meus problemas fizesse realmente sentido, como se tudo a que eu dava importância fosse insignificante quando comparado com a realidade com que me deparava em cada país.
E isso mais do que o viajar em si, é o mais importante. É o que levas para a vida.
Mais do que fotos, lembranças, videos, a mudança que o coração e a cabeça sofrem é a verdadeira compensação.
Lembro me de um episódio em particular que me marcou profundamente.
Em Garoua, nos Camarões, um dia antes de partir meti num saco plástico toda a comida que tinha levado. Nada de mais apenas uma lata de atum, bolachas, enlatados e umas sopas. Desci ao restaurante e entreguei-o à senhora que todos os dias estava sentada nas traseiras e me cumprimentava com um enorme sorriso cheio de ternura. 
A reacção dela deixou-me sem palavras. Sem sequer abrir o saco apertou-me nos braços dela e agradeceu-me com uma intensidade como se no saco estivessem barras de ouro. 
Disse-lhe: "É só comida. É só o que tenho para lhe dar" e ela com aquele olhar meigo respondeu-me: "É mais do que possas imaginar!" 
E ali ficámos as duas abraçadas. Eu com as lágrimas a caírem por perceber como tão pouco pode ser tanto. E ela feliz com um saco de uma estranha.

Ficarei eternamente grata por isso. 



“I beg young people to travel. If you don’t have a passport, get one. Take a summer, get a backpack and go to Delhi, go to Saigon, go to Bangkok, go to Kenya. Have your mind blown. 

Eat interesting food. Dig some interesting people. Have an adventure. Be careful. Come back and you’re going to see your country differently, you’re going to see your president differently, no matter who it is. Music, culture, food, water. Your showers will become shorter. 

You’re going to get a sense of what globalization looks like. It’s not what Tom Friedman writes about; I’m sorry. You’re going to see that global climate change is very real. And that for some people, their day consists of walking 12 miles for four buckets of water. And so there are lessons that you can’t get out of a book that are waiting for you at the other end of that flight. 

A lot of people—Americans and Europeans—come back and go, ohhhhh. And the light bulb goes on.”

Henry Rollins

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Daddys Home Town

Hoje recebi um e mail do meu tio com algumas fotos da terra do meu pai.
Diz que Abril e Maio são os melhores meses para visitar Arouca!
E pelas fotos é mesmo.
Conheço Arouca desde que me lembro como pessoa.
Passei lá todos os verões da minha infância e adolescência.

É um respirar de ar puro que me rejuvenesce. É o sítio de onde tenho as melhores recordações de menina.
Que saudade hoje me resta dos meus tempos de criança.
O verde que aqui é tão escasso e lá que ocupa tanto espaço.
O viver era mais seguro lá, na terra do sossego.
Onde irei sempre voltar. Sempre. Arouca







terça-feira, 28 de abril de 2015

Nepal

Bom este é um post daqueles que preferia nunca ter de o fazer.
Faço-o não porque alguma vez tenha ido ao Nepal mas porque este nível de devastação me deixa o coração partido.
Tenho colegas que visitaram o país e as fotos do antes e depois são verdadeiramente arrepiantes.

Antes


Depois



Antes


Depois

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Pessoa

Quem me conhece sabe a minha paixão por Fernando Pessoa.
Sim o Homem dos heterónimos, o multi personalidades viciado em ópio.
O que começou como uma espécie de "amigos imaginários" em criança acabou por se tornar num estado de espírito.
Conseguiu criar uma humanidade só dele.
Não tem nada de coeso.
É confuso.
E é disso que eu gosto. Porque me revejo nesse labirinto.

"A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida."



quarta-feira, 8 de abril de 2015

#Pleasure

Sim. É mais um post daqueles "pessoais". De mim para...mim.
Chove lá fora como é típico do mês de Abril. Mas está calor. Um calor primaveril que deixa antever o calor do Verão.
E é em dias como este que um bom livro na mão faz toda a diferença.
Adoro ler, chova ou faça sol. É uma das minhas grandes paixões e mal acabo um já tenho outro pronto para ser devorado.
Viajar faz parte de mim. Mas não só de avião. Através de um bom livro consigo viajar para vários países. Permite-me acima de tudo viajar no tempo.
Adoro viver várias vidas, como se em cada livro encarnasse a personagem principal. E nesses momentos estou numa vida que não a minha.
Já fui um milionário em Lisboa, um soldado na 1ª Guerra Mundial, uma terapeuta da fala, irmã de um menino autista, ja fui poeta,prostituta,jornalista já tive uma livravria na cidade de Barcelona em 1945, já naufraguei, casei, descasei,enviuvei...Já fui um filho incestuoso no século XIX,
Já fui uma revolucionária, prisioneira de guerra, ja fui nazi, fascista, republicana... Mil e uma vezes fui Fernando Pessoa que não consigo deixar de re-ler.
E não vou nem a meio das histórias que já vivi.
Gosto de histórias dos séculos passados. Gosto de mistérios, intrigas e enredos complicados. Odeio romances, ou livros que sejam só sobre o romance, Gosto da ansiedade pela página seguinte.
E o cheiro? Nada se assemelha à sensação de abrir o livro e sentir o cheiro das páginas que ainda não são minhas. Mas que serão. E serão de forma tão intensa como se fossem o meu diário.

Não consigo conceber um mundo sem livros. Da mesma maneira que não compreendo quem não os lê. Há sempre tempo. Não inventem desculpas.

Leiam por favor.
Faz tão bem à alma.




quarta-feira, 1 de abril de 2015

Sweet rainny April


Primeiro post fora do âmbito das viagens.
O meu mês.
Abril.
Não é por fazer anos. É porque é o mês da transição do inverno cinzento para a primavera sorridente.
Sim ainda chove. "Em Abril àguas mil" mas com Abril vem a esperança do Verão.
As flores começam a dar de si e a cidade ganha outras cores. A hora adianta e temos mais tempo de dia.
As pessoas nas suas correrias vão abrindo o sorriso. Sim, porque eu sou dessas pessoas que anda de acordo com as estações. Só mês de Dezembro, época Natalícia ando que nem uma criança nas ruas.
Mas o Sol traz outra energia, traz vontade de sair do trabalho e ir para a esplanada, traz a vontade dos passeios à praia, à beira rio, aos campos.. Vontade de estar na rua.
Se no Inverno prefiro o sofá e as mantas, assim que o sol espreita não consigo estar dentro de quatro paredes.
Enfim... Abril carrega com ele Esperança.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Marroco

De volta a África.
Marrocos - Jedah era a operação. Eu sei que já há alguns posts que digo que tenho que falar sobre Jedah mas não será neste. Ainda.

O mesmo nervosismo de sempre. Quanto tempo ficamos? Ninguém sabe.
Não gosto muito de Marrocos. Muito menos do hotel onde tivemos que ficar.
É isolado da cidade (50 € para ir e vir de táxi), os empregados nao primam de todo pela simpatia, a comida era terrível e caríssima! Passei quase 1mês a pizza margueritta!
Ainda fomos uma vez ao restaurante "rico" do hotel e pedimos um bife que além de caro mal se via no prato!
A zona da piscina era agradável mas não estava tempo para banhos de sol!
Não havia muito para fazermos naquela cidade, pelo que nos safámos com a vida nocturna que, confesso, não era má de todo!

Na primeira noite fomos ao restaurante que ninguém falha ao visitar Casablanca. La Bodega. Muito pitoresco, mesmo ao estilo marroquino. Depois de jantar, subimos ao 1ºandar onde passam musica e dá para dar uns passinhos de dança.
Mas de Marrocos trago na memória duas noites em particular.
A primeira foi num dia em que estavam quase todas as tripulações em Marrocos  e um bocado aborrecidos por não haver nada para fazermos. Decidimos então ir sair.
Não vou falar do divertimento que foi a típica noitada, mas a verdade é que numa noite conseguimos percorrer mais estabelecimentos do que possam imaginar. Desde discotecas VIP´S em que cobravam milhares por uma mesa, à discoteca do engate dos divorciados e mal casados.
Acabámos por descobrir aquele que viria a ser o nosso "poiso"!
Pequeno, sem grandes confusões, o que tendo em conta que nós éramos imensos, ainda bem! Só nós ocupávamos a pista toda e faziamos a festa.
Fomos sempre assim. E ainda bem.
Ao voltarmos para o hotel, até hoje não sei como foi possível, éramos mais de 8 num só carro!
O que afinal é recorrente em Casablanca.
Mais tarde haviamos de descobrir a melhor tasca de sempre! Donatelli. Tasca rasca mas onde nos divertimos e estivemos sempre à vontade.

A 2ª noite foi mais uma lição do que outra coisa.
Passámos o dia a passear pela cidade, um dos pontos era o Souk (mercado central) que é do tamanho de uma vila.
Passeamos por todas as ruas e saltava à vista que erámos turistas (claro!). Fomos abordados por um rapaz muito educado, boa aparência e aparentemente instruído.
Perguntou-nos o que procurávamos e nós cheios de fome dissemos que só queriamos um lugar onde comer bem sem pagar fortunas.
Levou-nos a um restaurante pequeno mas muito giro, onde pedimos um dos pratos típicos, Tagine.
Tagine de peixe é divinal!
Por esta altura já o rapaz estava com uma lengalenga de que estudava na universidade, que tinha conhecimentos no souk que nos fariam descontos no que quissesemos comprar, etc.
Todos nós com o bicho atrás da orelha mas deixámo nos levar.
Ao fim da noite quando queriamos voltar ao hotel o espertalhão disse que tinhamos que lhe pagar os serviços que ele nos tinha prestado.. Ficámos completamente espantados! Reclamámos, dissemos que não lhe tinhamos pedido nada, que nao lhe pagavamos nada etc. A verdade é que estávamos em território dele junto a um bar cheio de macacos pelo que acabámos por lhe dar metade do que ele queria mas que ainda assim para um "guia turístico" como ele se intitulava foi um balúrdio.

Já o meu rico paizinho dizia, ninguém dá nada a ninguém!
Fora isso, foi uma das melhores operações, com pessoas que ainda hoje estão comigo e considero minhas amigas.
Levo comigo também a noite de despedida. Já estávamos saturados de tudo. Dos vôos, do hotel,havia muita gente a adoecer, a termos que fazer rotações de tripulantes, enfim.. estávamos exaustos.
Decidimos fazer qualquer coisa "caseira" dentro do possível para comermos e juntarmo-nos num quarto.
Saiu-nos uma mistela de atum, ovo, cebola, maionese e milho. Tínhamos pão, batatas fritas, bebidas tudo.
Lembro me que nessa noite conseguimos juntar comandantes, manutenção, coordenador, etc pela fome ou pelo alívio de irmos embora estavamos todos a divertirmo-nos.

Claro que não seria o mesmo sem um precalço, ainda que mesmo no dia de partida.
A minha tripulação foi a última a sair do hotel. Ao chegarmos ao aeroporto ouço o meu Comandante atender o telefone e dizer qualquer coisa que me fez pensar "pronto tu queres ver?" 
Chegámos ao avião onde já estavam as outras 3tripulações para sabermos que nao estávamos livres. Não tinhamos autorização para levantar vôo.
A operação estava a decorrer porque o Rei tinha ido viajar com a comitiva que incluía a frota toda dos vôos que tinhamos feito.
Ora sua excelência chegava nesse dia, mas os aviões tinham que ir à manuntenção e poderia haver algum vôo entretanto que teríamos que ser nós a cobrir.
 2horas de espera. E finalmente o "You are free to go" chegou e partimos.
Casablanca
Tangine






Souk
em Jedah. With Mary

terça-feira, 17 de março de 2015

Banguecoque

O que começou por ser uma coisa de 3 dias estendeu-se por quase duas semanas.
Mas o destino era extasiante! Finalmente ia ao continente asiático!
Banguecoque <-----> Estocolmo
Chegámos a Estocolmo com temperaturas negativas, tudo coberto de neve e a tripulação inteira só com roupa para três dias.
No dia a seguir seguimos para Banguecoque.
Quase 12h de vôo. Simplesmente esgotante! Eu sei que o destino iria acabar por compensar mas até para nós tanto tempo de cabine dava cabo de nós. E o pior? Chegávamos a Banguecoque e tinhamos 7horas a menos que em Lisboa!
Nunca senti tanto a perda de noção dos dias... nunca fui de sofrer de jet-lag, nem de ficar a recuperar os fuso horários...excepto desta vez.
Para além do cansaço do vôo esta diferença acabou com as minhas resistências. 
Ainda assim, a vontade de conhecer a cidade era maior que o desgastamento.
Subiamos aos quartos, descansavamos 3/4horas e estávamos todos no lobby do hotel para sairmos.

A operação foi muito intensa, estavam apenas 2 tripulações pelo que o tempo que tinhamos em cada lado era o tempo de vôo da outra tripulação ir e voltar.
O tempo podia ser escasso mas conseguimos ver tudo! e gastar tão pouco!

No primeiro dia fizemos um passeio de barco à volta da cidade. Paisagem magnífica, com um pôr do sol como nunca vi na vida. Nem voltei até hoje.
 Fiquei impressionada com o Floating Market. O Grand Palace é magnífico! Palavras não descrevem justamente o que vi. Mas imagens sim!

Floating Market

Floating Market

Floating market

Aventuras? claro! Duas.
A primeira chocou me bastante. Logo no primeiro dia em conversa animada com um taxista chegámos à conclusão que tínhamos que ir ver o Show que tanto ele falava. Eu, na minha ignorância, nao fazia a mais pequena ideia do que era o ping pong show.  
À noite, lá fomos nós pelas ruas de bangkok, à procura de um bar com o dito show.
E o que não faltava eram bares desses! Menina(o)s à porta, com roupas mínimas a convidarem a entrar e com o preçário na mão. (Procurei desesperadamente pela fotografia que tirei ao "menu" e não consigo encontrar :x)
Bom lá nos decidimos por um que, claro, devia ser o pior de todos.
Entrámos e a empregada de mesa era uma senhora idosa, a patriarca pelo que percebi, a neta estava ao balcão e a filha era a "estrela" da noite.
Atrás de nós entrou um grupo de rapazes ingleses, receosos tal como nós.
Sentámos-nos junto ao palco e pedimos cervejas. Já com a minha na mesa e vejo um barata a passar junto à lata.
Deviamos ter saído dali naquele instante mas não. Insistimos.
Quem sobe ao palco é uma senhora com idade acima dos 50 anos. Desgastada. E não um jovem bem feita com peitos de silicone.
O resto foi verdadeiramente assustador. Cuspir bola de ping pong por onde saem bébés, atirar dardos, escrever, abrir garrafas... enfim mau demais!
Saímos de lá abismados com o que tinhamos acabado de ver.

A 2ª aventura foi no dia em que fomos ao Parque dos Tigres. Demorámos horas a chegar, e depois era caríssimo para entrar e havia dress code, pelo que eu e outro colega optámos por nao entrar.
Esfomeados e sem um sitio para comer fomos ate à estrada, e montado na berma em terra batida estava um barracão onde serviam comida.
Não sei sinceramente que carne comi... frango disseram eles. Não me pareceu. mas a fome era tanta que comi o que tinha no prato sem fazer mais perguntas.
O meu estômago não reclamou da carne que comi nesse dia mas ressentiu-se quando decidi experimentar comer grilos!
Terrivel! Vemos as pessoas a comerem aquilo com uma satisfação, com saquinhos daquilo na mão que nem nós com os nossos sacos de gomas...
Sabe a frito! A óleo usado há dias! e dps as patas que ficam na boca blerch! Odeiei!

Fomos até ao Skybar, onde filmaram uma das cenas do filme "A Ressaca". Consumimos a meias porque era tudo caríssimo. :)

Bom, ao fim ao cabo, mesmo com muito pouco tempo conseguimos ver a cidade, andar de Tuk Tuk, fazer uma Thai massage (pensei que me iam partir toda!e aconselho a que depois desta massagem façam uma de relaxamento porque é dolorosa..).
Por ver ficaram as ilhas paradísiacas que não ficavam nem muito longe nem muito caras de visitar.
Ficam para uma próxima... Who knows!
The Grand Palace


A tripulação em Estocolmo




quarta-feira, 11 de março de 2015

Concrete Jungle

New York, New York.

Foi em 2011 a primeira vez que visitei a cidade, fora de trabalho. Fiquei maravilhada! Era um sonho antigo e confesso que me emocionei.
É normal. Passamos toda a vida a ver os filmes e as séries e de repente lá estamos nós naqueles cenários que julgávamos fictícios.
Mas o encanto é só mesmo na primeira visita.
Acabei por ir a Nova Iorque inúmeras vezes em trabalho e, apesar de continuar a achar certas partes da cidade maravilhosas, comecei a ter a noção de que é mesmo uma selva de cimento.
Comecei a sentir o cheiro desagradável das ruelas, a falta de luz que os prédios enormes teimam em cobrir (excepto em Times Square que mesmo à noite parece dia), o "fast foward" das pessoas com que nos cruzamos...
Palminhei a cidade de cima a baixo e de cada vez que o fiz foi perdendo o encanto.
Não me levem a mal adoro a cidade só que agora de uma forma realista,

Mas claro,  existem certos cantinhos que valem muito a pena, Os roof tops são breathtaking, precisamente porque conseguimos ver o ceú, o rio Hudson, ver a cidade de uma forma ampla, o que lá em baixo é completamente impossível.
Ellis Island é uma verdadeira viagem no tempo. No século XIX 12 milhões de pessoas pisaram esta ilha depois de longas viagens de navio. É a chamada "Ilha da Imigração" ou "The Island of Tears" e ainda é possível ver documentos e fotografias originais, roupas, utensílios e cartas que foram deixadas para trás.
Atravessar a Brookly Bridge. O 9/11 Memorial.
Os pretzels, os bagels....Ah os Bagels...

Little Italy tem restaurantes típicos onde podemos beber um copo e comer umas bruschettas maravilhosas, cheios de iluminação e mesas que fazem lembrar a velha Toscana.
Numa daquelas tardes de passeio, eu a Katherine a Raquel e a Cátia encontrámos um desses cantinhos. Decidimos sentar nos e pedir um copo de vinho.
Ali ficámos.. à conversa, às gargalhadas, mais vinho e bruschettas e ali ficámos ate já não termos metro para regressar ao hotel.
E tal como se estivessemos num episódio do "Sexo e a Cidade" seguimos as quatro a chorar a rir sem porquê pelas ruas.

O nosso cantinho italiano

O Central Park continuará sempre a ser, para mim, o ex libris de Nova Iorque. De Inverno ou Verão é sempre uma sensação inexplicável percorrer aqueles caminhos.
A pista de gelo, o Strawberry Fields que presta homenagem ao Beatle John Lennon, os esquilos que correm para nao serem detectados, o cheiro a ar puro no meio daquela poluição toda é sensacional.
O museu de História Natural é surreal!
Pequenas grandes relíquias que ficam esquecidas na correria de Times Square ou da 5ª Avenida.

O nosso hotel ficava no guetto. Mesmo! e claro está que me aventurei a uma voltinha.
Fomos até uma lavandaria. Tal e qual como nos filmes. Já existe este conceito das Laundrys em Lisboa mas o "ambiente" por assim dizer é completamente diferente.
Moedinha para o detergente, carrinho para carregar a roupa, a luta pelas máquinas disponíveis, o olhar de lado (topam nos assim que entramos!).
Durante a nossa espera à porta damos conta de que realmente estamos num bairro no verdadeiro sentido da palavra.
Chegámos a ser perseguidos por um homem até à loja Dunkin Donuts. Sorte a nossa, um dos nossos, o André, nasceu num bairro de NY e resolveu logo a questão. Valeu nos o susto :)


Estive em NY  umas quantas vezes para além dessa. Uma delas foi na altura de Natal, demasiada gente na rua. A agonia de ter o bilhete para Lisboa para passar o Natal em casa para ficar sem efeito e fazermos mais um vôo. O que significou que passar a véspera de Natal num hotel dentro do aeroporto em Oslo e chegar a casa no dia 25. Not easy.
Anyway.. Nova Iorque será sempre A Nova Iorque e por fazer ficou: assistir a um jogo da NBA e de Baseball e subir à Estátua da Liberdade que está em obras.

A Tripulação 04/2014

sexta-feira, 6 de março de 2015

First Stop

My first Stay

A primeira vez que me chamaram para voar foi qualquer coisa de, no mínimo, caótica. Ora vais ora não vais. Daqui a 1hora no aeroporto, afinal não, fica em standby. Bruna tens que vir o mais rápido possivel. E lá fui eu no meu mais rápido possível para a minha primeira estucha. 
Viria a perceber que este "caótico" era standart.
Fui a Espanha e Inglaterra. Conheci apenas a placa. E voltei. 
A grande operação estava para vir. A primeira. 1 mês fora. Onde?
Nigéria. Lagos.
Mal sabia que não seria a única vez.
A operação era fazer voos entre Lagos e Jedah (Arábia Saudita). [Como Jedah viria a conhecer melhor noutra operação, vou escrever sobre a Arábia Saudita noutro post ah and it won´t be pretty to read..] 

Lembro me de quando recebi a chamada de confirmação. Foi agridoce. Não sabia para o que ia mas sabia que queria ir. Um mundo fora para conhecer. Mas e o resto? Os que ficam? Têm que ficar. Como ficariam tantas outras vezes. 

3Tripulações baseadas em Lagos. 
Ora Lagos é a maior cidade da Nigéria e dizem que tem o melhor aeroporto do país.
Aterrei no Aeroporto International Murtala Muhammed era já de noite.
O aeroporto é, de facto, enorme. Lembro de o percorrer com a mala e pensar que nunca mais chegávamos à saida. Completamente vazio. Um cheiro muito característico.
Pessoas a dormir em cima de cartão. Funcionários inclusive. Estava, apesar de tudo, a transpirar excitação. Estava em África! queria conhecer tudo e aventurar-me. Oh how rong was I...

O hotel, posso afirmar agora que conheço a realidade destas andanças, era de facto o melhor dentro dos parâmetros do país em que me encontrava.
Não podiamos sair do hotel, excepto na carrinha que nos arranjaram para umas idas a um centro comercial que ficava a uns 20min de caminho.
O trânsito? Não consigo descever. 
Não há piscas. Apitam para avisar que vão mudar de faixa ou direcção, seja ela qual for, a estrada em lama, autocarros em estado ferro velho sobrelotados, motas com 3 pessoas e uma televisão, pessoas a atravessar a estrada. Enfim, estava completamente abismada com esta cidade. 

Como não podia deixar de ser essa história do não poder sair do Hotel para mim não dava. Afinal estava naquele país pela primeira vez e corre me nas veias a adrenalina da aventura.
A aventura foi mesmo curta porque o máximo que consegui foi sair à rua mesmo em frente do hotel com o meu chefe de cabine e comandante e mais uma colega. 
Deu para ficar viciada nas maçarocas de milho de uma senhora mais doce que o açucar como lhe disse. Sorriu sem levantar os olhos das maçarocas.
Apartir desse dia eram os guardas que saiam para comprar as maçarocas. "Meninas aqui. Perigoso na rua." diziam eles num inglês fraco.
Não. Não me deixei ficar claro. Quem me conhece sabe que tenho que me aventurar. Nem penso. Só quero ir. Depois logo se vê. 
E assim fui com mais outros inconscientes como eu, para a discoteca do hotel Sheraton. 
Foi naquilo a que lá chamam " portagem" que percebi que havia perigo na cidade e que estávamos a arriscar. O carro parou, olhei e vejo um homem, civil, armado e junto aos pneus estava um tronco cheio de pregos caso o taxista decidisse seguir sem pagar.
A noite foi animada. Mas Nossa Senhora... as mulheres lá desafiam as leis da física com os enormes rabos que sabem movimentar! Basta entrar um branco e já estão em cima dele. Só querem dançar e copos, talvez algo mais mas pagável.

Aterrei pela primeira vez no cockpit. Tive o primeiro contacto com a cultura muçulmana, mas sobre isso conto num próximo post.

Aprendi algumas palavras. É dificil porque existem mais de 200 tribos cada uma com o seu dialecto e no hotel cada empregado era de uma diferente.
Um dos principais dialectos é o Hausa. Bom dia - Sannu. Obrigada - Na gode.

Trouxe comigo o espírito de equipa das pessoas com quem trabalhei. A cerveja Star que é uma das melhores que já bebi, a noção de que ficou tanto por conhecer. As maçarocas que nunca mais comi iguais. A malária tornou-se real mais do que uma gripe. O crew lounge, o melhor que vi mesmo quando comparando com países europeus. Era onde passávamos o tempo, a jogar snooker, matraquilhos,a ver filmes, a conversar. A varanda onde faziamos os churrascos e festas.
 O Comandante Mário Tavares que ainda hoje é das minhas pessoas favoritas e com quem voltaria a trabalhar mais tarde. 

Deixo-vos algumas fotos que tirei no mês de verdadeira clausura ( viria a conhecer uma clausura pior)
Lagos


As deliciosas maçarocas
Guardas do Centro Comercial
Passaport Signatures





Porquê "bloggar"?

Confesso que antes de criar este blog dei por mim a pensar se deveria ou não fazê-lo.
Ou porque a bloggosfera está em modo "lotação esgotada" ou porque não queria que fosse só mais um.
A verdade é que adoro escrever. Sem regras, sem limpar as arestas. Bruto. Bruto mas de mim. De mim para mim. E agora de mim para quem encontrar este cantinho.
Depois veio o "assunto". Sobre o quê é que iria escrever?
Moda? Nao percebo. nao ligo.O que não faltam são blogues das vedetas cheias de opiniões sobre isso.
Comida? Sei cozinhar mas não consigo imaginar me a escrever sobre isso. É comida.
E foi então que uma amiga me sugeriu escrever sobre aquilo que experienciei enquanto voei para um companhia aérea charter. Aterrei em mais de 21 países. 21 foi o nº deles que consegui conhecer melhor. Uns mais que outros.
De facto foi, so far, a melhor experiência da minha vida, apesar de tudo o resto que tive de abdicar por isso. Repetiria sem hesitar.
Por isso é sobre isso que vou escrever neste pedaço virtual de mim.
E quando esgotar as experiências hei-de escrever sobre outras coisas. Ler e escrever faz parte de mim.
Anyway, fica a apresentação feita. Li algures que era assim que o primeiro Post deveria ser...


Love
B.
My lucky charm.