sexta-feira, 6 de março de 2015

First Stop

My first Stay

A primeira vez que me chamaram para voar foi qualquer coisa de, no mínimo, caótica. Ora vais ora não vais. Daqui a 1hora no aeroporto, afinal não, fica em standby. Bruna tens que vir o mais rápido possivel. E lá fui eu no meu mais rápido possível para a minha primeira estucha. 
Viria a perceber que este "caótico" era standart.
Fui a Espanha e Inglaterra. Conheci apenas a placa. E voltei. 
A grande operação estava para vir. A primeira. 1 mês fora. Onde?
Nigéria. Lagos.
Mal sabia que não seria a única vez.
A operação era fazer voos entre Lagos e Jedah (Arábia Saudita). [Como Jedah viria a conhecer melhor noutra operação, vou escrever sobre a Arábia Saudita noutro post ah and it won´t be pretty to read..] 

Lembro me de quando recebi a chamada de confirmação. Foi agridoce. Não sabia para o que ia mas sabia que queria ir. Um mundo fora para conhecer. Mas e o resto? Os que ficam? Têm que ficar. Como ficariam tantas outras vezes. 

3Tripulações baseadas em Lagos. 
Ora Lagos é a maior cidade da Nigéria e dizem que tem o melhor aeroporto do país.
Aterrei no Aeroporto International Murtala Muhammed era já de noite.
O aeroporto é, de facto, enorme. Lembro de o percorrer com a mala e pensar que nunca mais chegávamos à saida. Completamente vazio. Um cheiro muito característico.
Pessoas a dormir em cima de cartão. Funcionários inclusive. Estava, apesar de tudo, a transpirar excitação. Estava em África! queria conhecer tudo e aventurar-me. Oh how rong was I...

O hotel, posso afirmar agora que conheço a realidade destas andanças, era de facto o melhor dentro dos parâmetros do país em que me encontrava.
Não podiamos sair do hotel, excepto na carrinha que nos arranjaram para umas idas a um centro comercial que ficava a uns 20min de caminho.
O trânsito? Não consigo descever. 
Não há piscas. Apitam para avisar que vão mudar de faixa ou direcção, seja ela qual for, a estrada em lama, autocarros em estado ferro velho sobrelotados, motas com 3 pessoas e uma televisão, pessoas a atravessar a estrada. Enfim, estava completamente abismada com esta cidade. 

Como não podia deixar de ser essa história do não poder sair do Hotel para mim não dava. Afinal estava naquele país pela primeira vez e corre me nas veias a adrenalina da aventura.
A aventura foi mesmo curta porque o máximo que consegui foi sair à rua mesmo em frente do hotel com o meu chefe de cabine e comandante e mais uma colega. 
Deu para ficar viciada nas maçarocas de milho de uma senhora mais doce que o açucar como lhe disse. Sorriu sem levantar os olhos das maçarocas.
Apartir desse dia eram os guardas que saiam para comprar as maçarocas. "Meninas aqui. Perigoso na rua." diziam eles num inglês fraco.
Não. Não me deixei ficar claro. Quem me conhece sabe que tenho que me aventurar. Nem penso. Só quero ir. Depois logo se vê. 
E assim fui com mais outros inconscientes como eu, para a discoteca do hotel Sheraton. 
Foi naquilo a que lá chamam " portagem" que percebi que havia perigo na cidade e que estávamos a arriscar. O carro parou, olhei e vejo um homem, civil, armado e junto aos pneus estava um tronco cheio de pregos caso o taxista decidisse seguir sem pagar.
A noite foi animada. Mas Nossa Senhora... as mulheres lá desafiam as leis da física com os enormes rabos que sabem movimentar! Basta entrar um branco e já estão em cima dele. Só querem dançar e copos, talvez algo mais mas pagável.

Aterrei pela primeira vez no cockpit. Tive o primeiro contacto com a cultura muçulmana, mas sobre isso conto num próximo post.

Aprendi algumas palavras. É dificil porque existem mais de 200 tribos cada uma com o seu dialecto e no hotel cada empregado era de uma diferente.
Um dos principais dialectos é o Hausa. Bom dia - Sannu. Obrigada - Na gode.

Trouxe comigo o espírito de equipa das pessoas com quem trabalhei. A cerveja Star que é uma das melhores que já bebi, a noção de que ficou tanto por conhecer. As maçarocas que nunca mais comi iguais. A malária tornou-se real mais do que uma gripe. O crew lounge, o melhor que vi mesmo quando comparando com países europeus. Era onde passávamos o tempo, a jogar snooker, matraquilhos,a ver filmes, a conversar. A varanda onde faziamos os churrascos e festas.
 O Comandante Mário Tavares que ainda hoje é das minhas pessoas favoritas e com quem voltaria a trabalhar mais tarde. 

Deixo-vos algumas fotos que tirei no mês de verdadeira clausura ( viria a conhecer uma clausura pior)
Lagos


As deliciosas maçarocas
Guardas do Centro Comercial
Passaport Signatures





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